quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Lançamento do Cordel "De Homem pra Homem - Seja Antimachista"



Meu mais recente Cordel "De homem pra Homem: Seja Antimachista" já está dando o que falar.

Pois é, depois de ser lançado na Rádio Gem's FM de Reriutaba, chegou a vez de ser apresentado ao público, ou seja, lançado com direito a apresentação, fotos e tudo mais.

O lançamento aconteceu no dia 15 de janeiro, na Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes (AILCA), em Ipu, juntamente com livros de outros autores.

Após a cerimônia de apresentação, foi a vez dos autógrafos, fotos, além de uma entrevista para o Canal Debate em Foco, de Ipu.

Aqui, de homem pra homem, adquira seu folheto, que você vai gostar.













7º Encontro de Poetas do Seridó - Parelhas - RN

 O novo ano começou carregado de poesia. Tive a alegria de participar do 7º Encontro de Poetas do Seridó, em Parelhas, Rio Grande do Norte, organizado pelo Poeta Daniel Francisco, com apoio do Poeta Hércules França e das leis de incentivo à Cultura.

Ao lado dos amigos poetas Alexandre Carlos e Luiz Ademar, de Santa Quitéria - CE, saímos daqui no dia 8 de janeiro diretamente para a residência do poeta Chico D'Assis, em Campina Grande, Paraíba. Lá, tivemos um momento de entrevista para o Canal "Diz aí, Poeta", com o Pedro Poeta, de Caruaru, Pernambuco. Após a entrevista, aconteceu um bate-papo seguido de muita declamação de poemas com Chico D'Assis, Pedro Poeta, João Rodrigues, Luiz Ademar e Silas da Paraíba.

No dia seguinte, partimos para Parelhas, onde participamos, à tarde, de uma palestra sobre leis de incentivos à cultura, na Casa de Cultura local, e, à noite, do momento mais esperado: o 7º Encontro de Poetas do Seridó, que reuniu poetas declamadores, poetas repentistas, emboladores e rabequeiros de quatro estados: Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco e Paraíba.

Após o final do evento, fomos para um Sarau Poético na casa do poeta Daniel Francisco, que se estendeu até às 4 da manhã. Houve muito bate-papo, declamação de poemas e muita diversão.

Na manhã seguinte, no sábado, fomos declamar na Feira de Parelhas, onde um bom público nos recepcionou.

Artistas presentes no Evento:

1. Herculys França 

2. Vitinho aboiador

3. Cacá de Cirilo

4. Léo Medeiros

5. Clara Bezerra

6. Kydelmir Dantas

7. Bia Cortez

8. Wagner Cortez

9. Adélia Costa

10. Rodrigo Moisés

11. Izabelly Ferreira

12. Adebal Ferreira

13. Chico de Assis

14. Ester Havenna

15. Luiz Ademar

16. Constância Uchôa

17. Edcarlos Medeiros

18. João Rodrigues

19. Célia Bombom

20. Claudson Faustino

21. Hadook Ezequiel

22. Daniel Francisco

Biblioteca do Poeta Chico D'Assis - Campina Grande - Paraíba

Preparando-se para a entrevista à TV Caruara - de Caruaru - Pernambuco, para o Programa "Diz aí, Poeta!"

Com o Professor Alexandre

Com Pedro Poeta, do Canal "Diz aí, Poeta!" - de Caruaru - PE

Palestra sobre políticas de incentivo à Cultura - Casa de Cultura - Parelhas - RN


Evento de declamação à noite - Parelhas















Poeta Ed Carlos à esquerda e o leitor Bruno ao centro

Na resenha pós-evento - Casa do Poeta Daniel Francisco
De volta pra casa


























segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Cordel "De homem pra homem - Seja antimachista"


Para fechar o ano de 2025, mais uma publicação de cordel. Já chegou o folheto "De homem pra homem - Seja antimachista", com 31 estrofes em septilhas (estrofes de 7 versos) que aborda a temática antimachista, um assunto que deve ser discutido em todos os lugares, principalmente nas escolas e em nossa própria casa.

Neste folheto, o autor aborda o tema de uma forma bem didática, orientando e dando dicas de como os homens devem aturar e agir diante de ações machistas. Além disso, convida todo o universo masculino pra fazer parte desta luta, que é respeitar e proteger as mulheres.

Não perca a oportunidade de adquirir este folheto, de lê-lo e compartilhá-lo por onde você passar.

Eis algumas estrofes do folheto:

De homem pra homem

     (Seja antimachista)

 

O machismo, em nosso meio,

É uma realidade

Com raízes seculares

Em nossa ancestralidade

É profundo e consistente

Ainda muito presente

Em nossa sociedade.

 

Lamentavelmente está

Por infinitos lugares

Nas ruas, praias, política

Academias e bares

Tá na mídia, na cultura

Esportes, literatura

Transportes, trabalhos, lares...

 

A mulher, infelizmente,

Continua assediada

Com direitos violados

Agredida, maltratada

Sofrendo com desrespeito

Até no seu próprio leito

Está sendo assassinada.

 

Você, homem, compre a luta

Ponha a mão na consciência

Fique ao lado da mulher

Diga NÃO à violência

Não se curve ao sexismo

Venha, combata o machismo

Esta luta pede urgência.

 

Comece por você mesmo

Faxine bem o seu peito

Veja se num canto escuro

Não se escondem preconceito

Machismo, misoginia

Se as ações do dia a dia

Não provocam desrespeito.

[...]

Se tem filho, ensine a ele

Que mulher não é produto

Um instrumento, uma coisa

Sua posse ou “usufruto”

Que é preciso respeitar

Assim não vai se tornar

Um homem machista e bruto.

[...]

Ser “não machista” não basta

Tem que ser antimachista

Não pode silenciar

Com atitude sexista

Falas preconceituosas

E as ações desrespeitosas

Por favor, risque da lista.

 

Seja exemplo para os filhos

Leia para se educar

Dissemine o antimachismo

Por onde você passar

Não dê voz ao preconceito

Ao machismo, ao desrespeito

É sua hora de mudar.

 

Ponha um fim na violência

Ame a mulher, não agrida

Dela, seja um guardião

Dê-lhe amor, dê-lhe acolhida

Quem é homem não maltrata

Não ameaça nem mata

A mulher, símbolo da vida.


João Rdrigues

Prêmio Eudismar Mendes de Literatura

 


E para fechar bem o 2025 na área da literatura, consegui uma Menção Honrosa (5ª Colocação) no Prêmio Eudismar Mendes de Literatura - 2025, organizado pela Associação Cearense de Escritores, em Fortaleza, com o poema "Ofício de Escritor". A cerimônia de premiação aconteceu na Casa Juvenal Galena - Fortaleza, mas infelizmente não pude participar.

Você, caro leitor, pode ler o poma classificado na íntegra, aqui.


OFÍCIO DE ESCRITOR

 Numa folha em branco, os meus pensamentos

Se formam em letras, em rimas e versos

Espalham mensagens, protestam, criticam

Mostrando aos leitores vários universos

Dizendo que o mundo é muito mais mundo

Quando nós vivemos em mundos diversos.

 

Eu bem que queria falar só de amores

De um mundo repleto de cor e magia

Onde todo rosto trouxesse estampado

As marcas do riso, da paz, da alegria...

Onde toda mesa jamais lhe faltasse

O abençoado pão de cada dia.

 

No branco da paz, há letras de sangue

Com cheiro de pólvora do bruto canhão

Contém labaredas lambendo o cerrado

Cobrindo de cinzas o rosto do chão

Os pontos e vírgulas são todos marcados

Com negras fumaças da poluição.

 

Há prantos de dor das mães de soldados

Perdendo seus filhos nas brutas trincheiras

A cara de fome dos refugiados

Fugindo das guerras, rompendo fronteiras

A voz dos que sofrem tantos preconceitos

Buscando igualdade, quebrando barreiras.

 

Pois na minha escrita, coloco o perfume

Que o mundo oferece por meio da flor

Mas também coloco o espinho que fere

Que nos rasga a carne, que nos causa dor

Escrever o mundo de diversos ângulos

É dever sagrado de todo escritor.

 

João Rodrigues (Reriutaba - Ceará)


Classificação em Trovas no VI COncurso de Trovas em São José dos Campos - SP



Amo a escrita. Há mais de duas décadas comecei a escrever literariamente, quando fui um dos ganhadores do Prêmio Literário Nossa Gente, Nossas Letras - Homenagem a Graciliano Ramos, mais precisamente em 2003. De lá pra cá, venho tentando melhorar minha escrita e acumulando títulos, prêmios, medalhas e troféus. Melhor que tudo isso é ver a própria evolução; e sempre vejo que é preciso evoluir mais e mais.

Minha área literária predileta é a poesia, mais precisamente a literatura de cordel, mas também me arrisco em outras vertentes, como a Trova, por exemplo, gênero que conheci em 2018, com o poeta paraibano Chico D'Assis.

De lá pra cá, passei a escrever esse gênero também, e já conquistei algumas classificações na Categoria Novo Trovador em vários estados brasileiros. Minha classificação mais recente foi um 3º Lugar e uma Menção Honrosa no VI Concurso de Trovas de São José dos Campos - SP.

E assim vamos escrevendo, concorrendo, ganhando, às vezes.... O que importa é escrever.



IV Concurso de Literatura de Cordel de São Gonçalo - RJ


Escrever é algo que me faz sentir bem, e quando se trata de cordel, é como se eu fosse um menino num parquinho de diversão com carrocel, roda-gigante, carrinho de bate-bate etc. 

Tô sempre escrevendo, publicando, declamando, decorando poemas, participando de eventos poéticos-literários, concorrendo a concursos literários, enfim. É um mundo que me fascina.

Mais uma vez participei do Concurso de Cordel de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, desta vez a IV Edição, mas não fiquei no pódio. Consegui apenas a 13ª Colocação. Das outras três vezes, consegui um 2º Lugar e dois 3º Lugares. Mesmo assim fico feliz. O que importa mesmo é estar levando essa arte nordestina aonde formos chamados; pódio é consequência. Quando vem, fico mais feliz ainda, mas quando não consigo, procuro melhorar para estar bem colocado no próximo.

Pra mim, a caminhada é tão importante quanto a chegada.

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Cordel "O sertanejo que sonhava ser garçom"

 

O sertanejo que sonhava ser garçom

 

Naqueles anos difíceis

Que a caneta era a enxada

O sofá era chão duro

Não se tinha água gelada

Bebia água na cabaça

Levava a vida na raça

E dando duro na lida

Levantava com o arrebol

Ralava de sol a sol

Achando graça da vida.

 

Já estava embrutecido

Da pobreza no sertão

As duas mãos calejadas

Pra mode ganhar o pão

Trabalhava o mês inteiro

Nem via a cor do dinheiro

Pensei em mudar a sorte

Arrumei uma passagem

Preparei minha bagagem

Resolvi deixar o Norte.

 

Nunca ti'a entrado em ônibus

Nem visto a grande cidade

Era só mais um matuto

Inda na flor da idade

A mala cheia de sonho

E um desejo medonho

De mudar o meu destino

E apesar de tantos ais

Tava deixando pra trás

Minha vida de menino.

 

Até que um dia cheguei

Por este mundão afora

Parecia um burro brabo

Castigado de espora

Era um mundaréu de gente

Um povo tão diferente

De distinto linguajar

Era um chiado danado

E um falar complicado

Que nunca aprendi falar.

 

“”, disse meu irmão,

“De amenhã em diante

Você vai é trabaiá

Num bonito restaurante

Tem sombra e água gelada

Carne cozida e assada...”

E fez lá um tra-tra-trá

Que eu fiquei foi animado

Passei a noite acordado

Pensando em ir trabalhar.

 

Quando por lá eu cheguei

Ao chefe me apresentou

Disse: menino vem cá

Pra cozinha me levou.

Mas era tanta comida

Carne assada e cozida

Que até me admirei

Eu comi que passei mal

Depois me deram um avental

E a trabalhar comecei.

 

Comecei lavando prato

Garfo, colher e travessa

Pensei mi'a Nossa Senhora

Quando é que vou sair dessa!

E quanto mais eu lavava

Mais louça suja chegava

Eu mi vi nas amarelas

Quando acabei de lavar

Ouvi o chefe gritar:

“Zezin, me lava as panelas!”

 

Quando cheguei lá no tanque

Tinha cada panelão

Que cabia eu todo dentro

Meti bucha com sabão

E lá se vinha assadeira

Mais panela, cuscuzeira

De repente o chefe grita:

“Zezin, lave só mais essa

E corre aqui, se apressa,

Prepare batata frita!”

 

Quando a noite terminou

Eu já bastante cansado

Pensei em sentar um pouco

Pois vi o chefe assentado

Ele disse: “Sente não!

Falta inda limpar o chão

Depois vá lavar o banheiro.”

Saí andando calado

Disse um cabra do meu lado:

“Isso é o Rio de Janeiro!”

 

Depois de muito ralar

Me passaram pra garçom

Eu disse comigo mesmo

“Agora o negócio é bom!”

De paletó e gravata

No salão, servindo a nata

Social da Zona Sul

Nem lembrava do sertão

Quando almoçava feijão

E à noite jantava angu.

 

Cabelo cortado curto

Unha feita, barbeado

Sapato preto, brilhando

E um paletó engomado

Me senti todo importante

Me achando muito elegante

Num sabia nem andar

Chamei um garçom do Crato

E disse: “Bate um retrato

Pra eu mandar pro Ceará.”

 

Começou o movimento

E foi chegando freguês

Sentou-se na minha mesa

Um povo falando inglês

My friend, how are you?

Hi, nice too meet you

Give me one beer.

E ao chefe fui falar

Bia lá no Ceará

É apelido de Maria.

 

“O gringo pediu cerveja”,

Disse o maitre já zangado.

“Vamo, tira o pé do chão

Eita garçom enrolado!”

E começou a pauleira

Me deu logo u'a suadeira

Chega o suor escorria

Eu tava todo atolado

E os gringo num bodejado:

“Please, waiter, come here!”

 

Fecha conta e abre conta

Limpa mesa, faz pedido

Quando deu lá pra meia-noite

Eu tava todo perdido

Se alguém me pedia café

Eu anotava filé

Era aquela confusão

Se alguém me pedia cerveja

Eu trazia era cereja

Eita enrolada do cão!

 

Foi cliente reclamando

Outros saíam sem pagar

Feito cego em tiroteio

Eu ia pra lá e pra cá

“Please, waiter, come here

Give me another beer”

Só se via gringo dizer

Eu ali todo atolado

Parecia um abestado

Sem saber o que fazer.

 

Quando a noite terminou

O chefe foi me falar:

“Vai ter que pagar as contas

Que ficaram sem cobrar!”

Foi feia a situação

Fiquei sem nem um tostão

Pensei: “De hoje em diante

Nem que a fome me arrebente

Num passo mais nem na frente

Da praga dum restaurante!”

 

  

João Rodrigues - Reriutaba - Ceará